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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

UM AMOR ALÉM...


Eu bem que queria num amor virtual crer
Mas desacredito ao ver tantos desvanecer
Ilusão através duma tela não é amor viver.
Eu prefiro me aventurar em doces sonhos
Que só eu venha ter e assim, os descrever.

Quem já sentiu o amor em toda a plenitude
Sabe que é preciso mais pra ele sobreviver
Sem o toque, o cheiro, o olhar, o respirar...
Inexiste a certeza, de que o amor está sendo
Compartilhado na verdade precisa d'amar.

Eu amo - amar! O amor que vive em mim
Que senti em tempo outrora e, que agora...
Ele me inspira versos que sei não terá fim.
Eu amo a realidade, que me faz sentir viva
Mesmo se vir a me fazer sofrer, ela é vida!

Os meus sonhos criam poesias de sonhos
De amor em tempo real ainda a ser vivido
Se assim não for, seguirá ele só um sonho
O sonho que sai à busca e nunca encontra
Amor além de poesia, além duma tela fria.


PARA SEMPRE...


Não te esqueças...
Guarde as minhas palavras
No eterno da tua lembrança
Porque por mais que essa vida
Nos leve, por diferentes caminhos
Nos dê, essa distância como castigo
Essa paixão e amor nos serão abrigo.

E te convenças...
Que és e serás o sol dos meus dias
A minha forte luz em noites escuras
A poesia encantada por sonhos puros
Meu pergaminho escrito a fios d`ouro
Amor, nos espaços, que o tempo se abre
Numa saudade, quando distante de mim.


ALVORADA...


A alvorada espia
Aguardando paciente
A hora que antecede
Seu nascer fulgente.

Olha, dá um tempo
Observa a escuridão
Partir com o vento
Em total submissão.

A alvorada se impõe
Brilha, dá vida ao dia
Pra renascer as flores
Orvalhadas de alegria.

E a poeta emocionada
Acolhe todo o momento
Extravasando na poesia
Essa vida em movimento.


ORVALHO




Em cada gota perfumada

A essência da manhã

Na poesia do alvorecer.



INFINITO...


Eu parto...
Para muito além
Para um lugar
Onde outros olhos
Não podem enxergar.

E te pressinto
E me transporto
E te sentindo
Eu te toco
E te tocando
Eu me transbordo.

É único esse lugar
Onde tudo acontece
E minh'alma sente e vê
Terno e infinito
Esse amor ser.



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

LONGE DAQUI


Há sempre um momento
Em que precisamos ficar só
Longe de tudo e de todos
Para profunda reflexão.
Passar por caminhos já idos
Quem sabe deixado esquecido
Para reconhecer os erros
E fazer os devidos acertos
Um tempo longe da tela
Onde um mundo irreal
É-nos servido em banquete
E absorve-nos de forma tal
Que sentimentos se misturam
E se perdem dentro de nós...
Há sempre um momento
Em que a estrada se bifurca
Um momento de encontrar
O Eu de frente e bem real
Distante desse ilusório
Mundo virtual...

“Fechada para balanço”


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

À SOMBRA DA DESILUSÃO


Num dia bem poucas palavras
Que não preenchem uma linha
Em um outro nenhuma palavra
Um silêncio que o dia desalinha.

E a incerteza ganha o espaço
Fazendo a alma sentir solidão
O corpo não sente mais o laço
Os versos tateiam a escuridão.

A razão toma o lugar da emoção
Surgindo a pergunta que não cala
Terá tudo sido acaso uma ilusão?
A poesia pede tempo e nada fala.



TRISTE...


Ah! Que dia rude, vadio

De céu cinza inclemente

Verso choroso - sem brio

Mata na alma a semente.



DIVAGANDO...


Não espero que me aceitem
Tão pouco que me entendam
Se nem tudo em mim entendo.
Se há muito entre céu e terra
Que não se possa desvendar
Também há muitos mistérios
Que envolvem toda uma alma
Que na íntegra não há e haverá
De em brevidade se mostrar...
Pois é ela - um verbo mutante
Em livre espaço – a itinerante!

E se aqui - eu bem o recebo
E sem farsa eu bem o aceito
É que vivo assim, para amar.
Não rascunho minha história
E nada dela se leva embora
Nem finais e nem começos...
Há sempre recomeço e acertos
É dum erro que nasce conserto
No íntimo e no mundo lá fora...
E se triste acabou uma história
Faço dela o início de bel estória
Fincando memórias - sou poesia.


CÁLIDO AMOR


De ti, precisei sim me esquivar
Do teu sorriso e desse teu olhar
Dos abraços repletos de carinho
E dos teus versos - tão vizinhos.

Eu fiz de tudo pra não te notar
O meu coração eu tentei fechar
Mas se fez presente noite e dia
Em meus sonhos e nas poesias.

E a minha alma se pôs a sonhar
E o meu corpo veio a te desejar
Nesse querer, te prender mais;
Sentir-te na essência de florais.

E não tive medo, de assim alto voar
E voando, me sentir livre para amar
Em tuas asas, vi um céu arrebatador
Encontrei toda a pureza de um amor.

Perdoe se por instantes eu me calar
E um certo silêncio venha me tomar
Esse amor, vai muito além de poesia
De tão cálido - a minha alma extasia!


FINGINDO SER POETA


Eu sei que sou tão assim

Uma mistura meio confusa

De emoções a flor da pele

Em poesias intrusas...

Mas é só por te amar

Que eu finjo ser poeta

E me transformo em musa

Pra confiscar o teu amor

E libertá-lo todo em mim.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

IMAGINADO AMOR


Sonho-te! Nos meus loucos versos
A luz de velas, num recinto exótico
Em águas de sais, nós dois imersos
Orgasmo livre em instante erótico.

A poesia de tuas mãos deslizando
Por toda a pele, úmida de desejos
Tua boca ávida, nela escorregando
Fazendo-me frágil e, ao teu ensejo.

Sonho-te! Largado nos meus braços
Em tantas delícias teu corpo enlaçar
De prazeres sonhados, ir ao encalço
E do teu êxtase, ir à busca e te dar...

Assim, eu sonho noites de bem querer
E madrugadas de envolventes carícias
E num canto qualquer da vida, em ter;
Toda a paixão e o amor de uma poesia.


DESEJO-TE


Quebre esse gelo
Chegue mais perto
Pegue a minha mão
Olhe em meus olhos
Leia-os - nada fale
Só depois me abrace.
Teu rosto ao meu cole
Todo meu corpo enlace
Com querer e desejo...
E derretendo o gelo
Desse primeiro passo
Una a tua boca a minha
Em longo e ardente beijo.


MEDO DE TE AMAR


Passas por mim
E eu te sinto
Como rajada de vento.
Como não te notar
Se por mim passas
Forte como o vento?

Espalhas sensações
E diversas emoções
Transforma meu mundo
Em tão poucos segundos
Desarrumando
O que em mim habita
E em nada facilita
Vento que a mim agita.
Arrepios correm a espinha
E por todo o meu corpo
Sinto que teu olhar caminha.

Ah! Esse medo...
Que de mim se aproxima
Medo de muito te querer
E de mim mesma me perder.
Medo de te amar
De te sentir inteiro comigo
A me abraçar...

Ah! Esse medo...
Que sejas só vento intenso
Mas um vento temporário
Que ao partir...
Levará todo o meu ar
Não retornando pra me amar.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

POR MANSAS VEREDAS


Quem sabe você seja um anjo
Nas avenidas do meu pensar
E tomando-me com tal leveza
Leva-me a um céu azul voar...

Teu brilho por mansas veredas
Tem toque de poesia a encantar
Do meu viver, é minha fortaleza
Que me fará a tudo enfrentar...

Em tapete de amor deita versos
E faz a noite escura se iluminar
E com gotas, de essências puras
Perfumas todo o meu despertar.

Tua seiva alimenta minha alma
E estanca essa fome de te amar
Porque te tenho, inteiro em mim
E inteira em ti vou sempre estar.

ALTAR DE AMOR


Nos braços da poesia
Um amor nasceu
Assim como um dia
Nesses braços morreu.

Versos se acasalaram
A luz da linda lua
Mas se separaram
Na realidade fria e crua.

Um poeta na noite renasceu
Querendo mais brilhar...
Uma poetisa na manhã morreu
Deixando ao poeta - seu altar.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

SEM VOCÊ, MEU AMOR...


É tarde, amor...
A lua já vai bem alta no céu que a acolhe
O sereno cai macio umedecendo a folhagem
As ruas já são revestidas por um breve silêncio
E os meus versos saem em busca da tua imagem.

É longa, amor...
Toda a noite, que não te recebo em meu leito
Que o meu corpo no teu, não sente o aconchego
Que o som da tua voz não embala os meus sonhos
Trazendo a luz da poesia nesse teu olhar de ssossego.

É manhã, amor...
A noite vagorosamente se foi e a aurora já desponta
E como teimosa, estrela, que se nega ao dia adormecer
Eu aguardo, com serenidade, que você, meu amor, volte!
Com sorriso me beije e abrace e da noite me faça esquecer.


AMOR DE POETA


Um amor escrito nos versos
Qualquer um, dono, pode ser
De um coração, ser as vestes
Com suas emoções envolver.

Um amor declarado em poesia
Sem um nome - nem endereço
Apodera-se sorrateiro de almas
Apaixona com os seus adereços.

Um amor deve ser sussurrado
Ao ouvido da pessoa amada...
Ser declarado através do olhar
E suas palavras - endereçadas.

Um amor é tão tudo e tão nada
Nos belos versos de uma poesia
Estando invisível o destinatário
Esse amor pode ser, só fantasia.

PERCEPÇÃO


Estes olhos que nada perdem
Esta sensibilidade à flor da pele
Capta tudo que gira e flutua em sua volta
Percebendo movimentos - bem antes
Que outros olhos possam perceber
Por isso estes meus olhos
Acertam tanto o que pressentem...
E o presente - que hoje muitos olhos vêem
Com um certo espanto e surpresa
A mim não passa - de um velho ontem
Já esperado - visto e conhecido.

PAPEL VIRGEM... SONHOS ALÉM


Papel virgem
Céu e lua além
Letras que brincam
Versos que viajam
Sonhos que nascem
Sós... Aquém.

A inspiração voa
E a poesia entoa
O canto encantado
De querer fadado.
A alma assim se doa
E o tempo amor ressoa.

O vento de passagem
Desmonta a fria imagem
Leva cacos de solidão
Deixa paz no coração
E refeita a paisagem
Os sonhos seguem viagem.

PLACIDEZ


É a placidez da luz que busco
Nos cantos e recantos do mundo
A verdadeira fonte da vida
A jorrar versos fecundos.

E me são - versos moribundos
Todos os que nascerem no escuro
Conspirando nas trevas – contra
A luz que se manifesta exuberante
Em puro e verdadeiro amor...

Não há sombra que me assombre
Nessa luz intensa que me guia
Pelos cantos do infinito ainda ocultos...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

ESQUECESTES...


E muitas águas passaram e sei que
percebestes
Eu vi elas passarem ora calmas e ora tão
arredias
Sei que vistes atravessarem todas as duras
pedras
E tocarem bem ao fundo e vazarem pelas
beiras...

Eu sei que nasceram-te dias e te morreram
noites...
E observastes o sol, também como todas as
estrelas
Dele, tu absorvestes o calor, e elas te foram o
deleite.
E teus sonhos vieram e se foram, e deles te
alimentaste.

De onde te parecia, um solo arenoso e sem mais vida...
Floresceu a ti, um encantado jardim, de flores perfumadas
De cada uma, que ali nascera, tu recolheste a sua essência
Sabendo o nome de todas, chamava-as enquanto cuidadas.

E o tempo se foi bem além, de um tempo que ficou lá atrás
E não percebestes um fio de água morna passar por tuas mãos
Não observastes a luz, que vinha só para iluminar os teus olhos
Não chamastes pelo nome, a que renasceu, só pra amor te dar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ESSE AMOR


É lá...
No cume de uma montanha
Onde o verde e o azul podem se encontrar
E a natureza toma toda a alma com doce manha
Que meu olhar, o teu sempre olhar, vai achar...

É lá...
Num ponto qualquer do infinito
Onde estrelas guardam segredos do Universo
E revelam que a vida é mais, que um céu bonito
Que a ti deixo, um por um dos meus versos.

É lá...
Na brisa que suave eu sinto passar
Onde formosos rios deixam pedras se banharem
Saciando a sede de milhares, até se darem ao mar
Que meu te querer e amar se engrandecem.

É lá...
Onde um fim se fez recomeço, que nasce conciso
A voz dum poema, rompendo um silêncio profundo
Construindo pacientemente, as belezas dum paraíso
Protegendo esse amor, das sombras do mundo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

INQUIETUDE


A inquietude
Que esta noite me toma
Arranha o meu corpo
Recolhe da paixão sobras
Se dá em amor não pouco.
E o desejo de alma
Inflama-se em vontades
Aspirando da noite prazeres
Retalhando os versos solitários
Que se vestem de vãs pudores...
Rendem-se a nudez que espia
Despem-se de falsos valores
Entregando seu negado gozo
À maciez dos lençóis
De uma poesia...

EM INTENSIDADE


Quero a intensidade de um sentir
A vida traçada em asas coloridas
Tomando a liberdade dum ir e vir
Planar em céu, de tarde lânguida.

Arquitetar sonho por suas beiras
Sorver das sobras, meus poemas
Desavisada - fluir nas corredeiras
Ao canto de força duma seriema.

Quero a singela luz, de pirilampos
Minhas escuras noites - alegrando
Quero um nascer de dia no campo
Com a sombra de ipês abraçando.

Quero em mim a paz em esplendor
Sentir em toque de luz toda poesia!
Versar sob as nuvens, de um amor
Voar nesse tempo, que me agracia.


POBRE DAQUELE...


Pobre daquele que só sonha
E nessa ilusão dele caminha
Acordará sem quase encanto
Em dia de vida, triste e vazia.

Pobre daquele que não ama
Apenas deita com outro corpo
Buscando na noite - só o calor
Despertará mais só, sem amor.

Pobre daquele que amor teve
E no destino colocou a culpa
De o perder e ser um sofredor
Fará do tempo seu mar de dor.

Pobre daquele que não lutou
Para ter nas mãos seu futuro
Parando diante de seus muros
Será vulto, em mundo escuro.

Pobre daquele que quis só ter
Mas nunca lembrou de se doar
Furtivo tomava e não se dava
Colhendo o que não semeava.

Pobre daquele poeta viajante
Que do rumo certo se perdeu
Fez da sua alma poesia vazia
Errante amor em versos seus.

Pobre dela, que a tudo isso viu...
Com muito pesar, na noite partiu
Deixando numa flor seu perfume
E seu amor, que no tempo esvaiu.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A FIOS DE SEDA


O manto que me reveste
Foi tecido pela poesia
A fios de rara seda...
Lírica ela te concede
E te tem... E me pede...
E te veste...
De lampejos em lábios
Rima os beijos
Do corpo em teu corpo
Rascunha desejos.
Nesta viajante alma
De tudo um pouco nasce
Em vontade te mantém
Em laços que a convém.
Mas a poesia se preserva
Reservando-se silente
Ao que ainda desconhece
E assim, ela segue...
Sem manchas e rasuras
Dando-se em versos de amor
Que esses... Bem conhece!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

TOCAR


Com transparência
Com a ponta dos dedos
Deixe se tocar...
É vivo o espelho d’água
E turva - sê em medo...
Mas se tocado
Lava a alma dos segredos
Ciência – Filosofia?
Que nada!
É só o amor tocando
Com a leveza encantada
De uma poesia.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

MULHER DO AGORA


Acorde!
Já não és, aquela menina de tranças
Que brinca e todo sonho vive, alcança
Nem tens mais na pele aquele frescor
Que ao passar os homens suspirem amor
Já perdeste o gingado das tuas ancas
E do coração fica difícil abrir as trancas.

Desperte!
Àquela hora, aquele tempo, já se foram
A juventude nos lábios e sorriso não moram
Mesmo que a tua alma ainda se sinta menina
Teu corpo já não mostra a disposição felina
Para tudo enfrentar sem os medos de errar
Porque são outros tempos pra tudo recomeçar.

Mas viva!
Afinal ainda tens muita vida nessa mulher
Que não sente os anos lhe pesar e quer
Pela vida passear, com sonhos pra sonhar
Mesmo que na face sua idade venha mostrar
E já não tem mais no corpo as formas perfeitas
Teu interior continua a amar e a inércia rejeita.

E prove!
Que hoje és melhor que ontem, agora és madura
Teu caminhar é mais firme, tua paixão mais segura
Teu olhar bem mais atento, o amor bem mais forte
Já não se ilude facilmente, nem dá asas pra sorte
Tu és mais mulher hoje do que no tempo outrora
Com a juventude guardada nessa mulher do agora.

ARTESÃ DE SONHOS


Sob tantas luas encantadas
Suspirei profundos romances
Deixei em linhas enamoradas
Amor suave e suas nuances.

Foram tantos Sóis reluzentes
Castelos de sonhos sozinhos
E império de versos carentes
Da poesia, célebres vizinhos.

Foi o mar impetuoso, generoso
Dando ondas de amor vibrante
E com brumas e ares cariciosos
Impregnou de sais noites amantes.

Assim, eu escrevi dois mil poemas
De um real caminho e mil fantasias
Esta alma poeta, de tudo fez tema
Artesã de sonhos em seu céu poesia.


BOBO DA CORTE


Em toda corte
Há um bobo
Que com cara
De tolo
Faz a alegria
Do trono.

Todo rei
Tem a sua rainha
E os plebeus...
Pequenos servis
A sua bainha
Bordando gentis.

É assim
Que esse mundo vil
Anda... Caminha...
O mais esperto ganha
O mais coitado implora
Um manda desmanda, engana
O outro se curva e chora...


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

SÓ MAIS UMA POESIA


... Morta!

Não querias ser uma tola
Querias ser rara e nobre
Mas de vocabulário pobre
Não haverias de ir longe.

Fostes sim, uma crédula!
Vendo tantas belas flores
Onde morriam, sós, amores
Pétalas secas em seus pés.

Querias ser sonhadora
Onde sonhos não moram
E almas se desesperam
Em cansaço de espera.

Fostes assim, enganada...
Por céus d`azuis cristais
Só eram vidros, nada mais
Cacos perdidos na estrada.

Querias no olhar a ilusão
Fugaz, excitante, luzidia
Tomando, domando, arredia
Tocando profundo a emoção.

Querias o amor em requinte de sim!
Mas fostes a sombra à minha porta.
D`alma, já nasceste, poesia morta
Sem encantos, num beiral de fim...


domingo, 24 de janeiro de 2010

LÁGRIMAS BAILARINAS


Na curva da prata lua
Tinha sonhos espalhados
Era imagem de alma nua
O amor por ela esperado.

O seu corpo nu estirado
Naquela luz de alva cor
Tinha seus olhos voltados
A ilusão de eterno amor.

A sua poesia era serena
De esperança orvalhada
Em um céu de lua amena
Era doce alma inspirada.

Mas o mel lhe foi tomado
E lhe dado amargo veneno
Seus versos foram chorados
Em silêncio de um aceno.

As suas lágrimas bailarinas
Caíram do céu sobre esta Terra
E aquele sonho de amor menina
Na curva da lua ela o enterra.


ALHEIO...


Não sei mais quem sou
Nem mais pra onde vou
Meu andar perdeu o chão
Meu sorriso aquela ilusão
Não mais sei pra onde olhar
Nem mais sei o que esperar.

A natureza perdeu sua cor
O céu todo seu esplendor
O mar retirou seu encanto
Pássaros calaram seu canto
Em quê posso me inspirar
Sê, cego ficou o meu olhar?

O tempo no tempo se perde
Brinca de mentiras e verdades
Escapa ligeiro entre os dedos
Faz renascer os velhos medos
Trazendo os inseguros muros
Que ofusca o puro do impuro.

Do destino não temos posse
Então que os versos endosse
Levando-me sutil ao seu jeito
Fazendo de mim o seu feito
Uma poesia só em devaneios
Sendo desta minha dor alheio.


FEITO MENINO


Deite a tua cabeça em meu colo
Se entregue à noite feito menino
Deixe que meu ventre te aninhe
E que as mãos suaves do amor
Tua alma e teu corpo ninem...
Enquanto tudo se esvai lá fora
E o céu tem nos braços a lua
Vidas pelas ruas escorrem
E a paixão em nós se aventura
Em precioso tempo de horas.


AMOR É COISA SÉRIA


Quem faz do amor uma brincadeira

Sentimentos alheios, não respeita

É certo, que um sério risco corre

De escrever a sua própria sorte...



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

DESEJOS NA NOITE

Lareira acesa
Meia luz no ambiente
Taças de vinho sobre a mesa
Música romântica envolvente.

Um homem e uma mulher
Em uma noite de paixão
São dois corpos que amam
Em toques de sedução.

Os beijos são trocados
Seus corpos se abraçam
As mãos buscam os traços
Todos os nós - Desatam.

Roupas uma a uma
Sendo jogadas ao chão
Dois corpos nus em volúpia
Em intensa emoção.

O tempo pára, o frio inexiste;
A trilha do prazer percorrem.
E um homem e uma mulher...
À noite, no amor se acolhem.

Nas taças, não há mais vinho
A noite vai se despedindo...
Na lareira, não há mais fogo
O dia já vem surgindo.

No nú desses dois corpos
A nudez de duas almas
Que marcaram uma noite
De prazeres e doce calma.

Nos corações uma certeza
De que o amor foi renovado
Nos dois corpos abraçados
A visão de êxtase alcançado!

NUM ESPELHO


Num espelho...
A imagem de uma alma
O avesso de um corpo
Em nuances e traços.

Nas linhas indeléveis
As inesquecíveis viagens
Aromatizadas por vinhos
De paixões em passagens.
Atos de amores sangrados
Em lenta morte e agonia
E pelo tempo estancados.
Relíquia de amor eterno
Preso e liberto no corpo
Com todo perfume e viço.
Luzes de sorrisos tristes
Alegrando alguns atalhos
E os passos de improviso.
Esperança nunca amarelada
Nem perdida por um pranto
Por ter Deus como caminho
E o amor concebendo versos.

São essências de noites nascidas
Entregues nas manhãs, aos montes
E adormecidas por dias distraídos.

Num espelho...
Uma vida - sem ter substituta
Uma alma - espelhando uma vida
De feitos - mistérios e sonhos.


CUMPLICIDADE


Olharei-te distante
Guardarei-me em silêncio
Se não me quiseres junto a ti
Debruçarei meus versos no vazio.
Não macularei as tuas noites
Quando passar bem perto
E me desviar do teu olhar
Deixando certo por incerto.
Mesmo assim...
Perfumarei as tuas manhãs
Com a essência das flores
E em prece - às alvoradas
Pedirei luz à tua caminhada...
Não revelarei o meu segredo
Guardarei em mim se quiseres
Mas tu me serás o enredo.
E se me quereres ao teu lado
Se meu amor é de tua vontade
Num desejo de corpo e alma...
Chame por meu nome
E terás amor em cumplicidade.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

MÁGICO SILÊNCIO


Silêncio mágico toma a alma
E os corações desatam os nós.
Os seus versos a minha voz cala
E se junta ao silêncio da sua voz.

E o céu se abre em raras luzes
Abraçando esse silêncio de nós
Os versos se unem em louvores
Anjos quebram o silêncio após.


TRISTE VER...


Quanto mais tento entender
O ser humano
Mais eu me assombro.
Por tão pouco se vender
Até por relés elogios
(mesmo se falso)
Mas contanto que acaricie
Já se dá por feliz...
Importa-lhe subir mais
Os degraus de seu ego.
São seres de almas pequenas
Que só se afirmam no outro
Para se sentirem grandes...
Bem que tento entender
Esses que subsistem
Nas trevas do Ter
E não – na luz do Ser
Ah! Como lhes faltam...
Verdade de espírito
E firmeza de caráter.

Entristece-me
Tanto esse lado do ser humano
Eu bem prefiro o silêncio da palavra
Do que palavra vazia me abraçando
Falsidade não alimenta minha alma...


FANTASMAS DA NOITE


Os fantasmas da noite
Trazem os furtivos medos
Revezam-se em sonhos
Revelam-se em segredos.

Da noite, seus anjos
Do tempo, os senhores
Espiam olhos sem mais brio
Ninam corações vazios.

Estrelas agrupadas
Rodeiam a noite solitária
As almas ouvem silenciadas
Uma poesia em terna ária.

E quando a noite finda
Vão-se fantasmas e anjos
Adormecem medos e sonhos
Em manhãs sem segredos.


QUANDO...


Quando...
No alvo dos pensamentos
Eu me encontro dentro de ti
Em grande tanto falo
Descrevendo nos versos
Tudo que em ti senti...

Quando...
Deito os meus sentimentos
Na seda d’uma poesia carmim
Por longo tempo me calo
E é esse silêncio - regalo
De te sentir em mim...

TUDO BEM! VOU INDO...


Tudo bem!
Prosseguirei nessa estrada
Que a muito caminho por ela
De saudade é chão - paisagem
E céu. Mundo d'uma só estrela.

Afinal...
Deves me ter sido miragem
O sonho que sonhei - Talvez!
A rara poesia que se desfez
Antes de um novo amanhecer.

Vou indo...
E se minha ausência sentir
Retorne algumas páginas
Ainda que jaz - amareladas
Perpetuam meu amor por ti.

E assim...
Como a chegada de um outono
Os versos caem - vão ao vento!
Desfolhando a poesia desse amor
E a saudade de tempo em tempo.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

MOMENTOS NO TEMPO


Momentos vividos dentro do tempo
Mágicos minutos de um tempo
No tempo a ternura de momentos
Corpos sentidos
Beijos trocados
Sublime amor num inesquecível momento.

Momentos guardados de um tempo
Coração machucado em algum momento
Lágrimas derramadas por um tempo
Solidão cruel em dado momento
Sofrimento em algum momento
Deixado lá atrás no tempo.

Reflexões no intervalo do tempo
Invasão do intimo, em certo momento.
Sentimentos na balança do tempo
Medos e incertezas de momento
A vida na espera do certo tempo.

Momentos repartidos por algum tempo
Tempo dividido com um alguém
Doação de momentos
Oferta de seu tempo
Trocando pequenos momentos
Não pedindo um tempo
Apenas fazendo de momentos
Um maravilhoso tempo.

Momentos de sabedoria passada no tempo
Ensinando e aprendendo nesse meio tempo
Fazendo de todos seus momentos
Os melhores de um especial tempo
Colhendo os frutos plantados no tempo.

Momentos que vão com o tempo
Que no tempo se perdem
Que não voltam no tempo
Momentos felizes
Momentos tristes
Momentos de Amor
Sublimes momentos.
Em lembranças, momentos vividos
Guardados no baú do tempo.

DESFALECIDA FLOR


Uma flor nasceu estarrecida
Com as ruínas e auguras da vida
Descoloriu-se, aguardando o amor
Negou o seu perfume, entristecida.

Suas pétalas, não mais vistosas
Ganharam a aparência de chorosas
E a impureza dos olhos do mundo
Roubou-lhe, a sua textura sedosa.

Uma flor morreu, em um triste dia
Como verso esquecido n’uma poesia
Sem entender da vida, as suas linhas
Partiu, ao ver o mundo sem harmonia.

SOLIDÃO


Você é a sombra que chega à noite
Rouba a minha paz e me tira o sono
Sangra o meu coração sem piedade
Deixa no escuro meus novos sonhos.

Você que ignora qualquer meu querer
Que faz que não ouve o meu implorar
Que se cega diante do dorido pranto
Não zombe mais dos meus tantos ais!

Você que ora segue os meus passos
Voltando a me ser amiga e inimiga
Leia minha alma nestes frios versos
E me ensine a não ser triste poesia...

MOMENTO


Boca mel - adocicada

Olhos Vênus - apaixonado

Alma aromatizada

Amor-sonho destilado

Toques sutis - ousados

Corpo suado de prazer

Palavras em lilás buquê

Momento - noite!

Em mim - você!

TEU EU...


Teus olhos...
Vidraças transparentes
Emolduradas por ouro
Visão d’uma vida eloqüente.

Tua alma...
Portal resplandecente
Convite de sonhos
Lírica e bela estrela cadente.

Teu coração...
Pulsar de veias urgentes
Verso em transverso
Amor por linhas inocentes.

Teu corpo...
Reduto do inconsciente
Afluente de prazeres
Instante de êxtase excedente.

Teu Eu...
Abrigo de poemas silentes
Céu enigmático
Vôos em asas ambivalentes.

domingo, 3 de janeiro de 2010

ABRAÇO DE AMOR


Entorpecida por tão bela imagem,
Minha alma suplica nova poesia...
Traz o amor colorindo essa miragem,
Escrevendo sonhos a luz do dia.

O Sol brinda essa vida de passagem,
No céu, nuvens se agrupam em harmonia,
A mãe natureza espalha a mensagem
E na brisa que passa, a sua melodia.

Os olhos desta alma ficam a espreita,
Buscando os seus versos no horizonte
E a esse esplendor não desdém, nem rejeita.

Esse sereno alvorecer me enlaça...
E a poesia em prece segue até o céu,
Louvando esse amor, que forte me abraça.